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Thursday, January 05, 2012

amassa

só pra deixar uma carga
nos que acham que não aguentam
estupefato por uns que arrebentam
a cordinha que lhes farfalha

condição péla fio da navalha
que bocaadentro aguenta
e a cada noite que passa
flor, frio, goteja, orvalha

e cabeça arrebenta
pra cutucar o cérebro
ao vivo sem método
medula entre deus e tédio
aos espoucos espolenta

molho, com seiva amena
a massa da mandioca mãe
tudo um dia se condensa
no caos que vêem ébrio
mas na ordem se arremeda

magoo 5/1/12

thadeu é mestre, nem sei como sei disso

POEMA PARA UM DIA CINCO DE JANEIRO QUALQUER

agora que estou te deixando meio de lado
não me venha com o diabo carregado
minha solidão era o paraíso perdido
que um dia deixei num canto esquecido

o dia é longo e o tempo passa devagar
o silêncio também é jeito de dialogar
hoje é um bom dia como outro qualquer
não me traga semanas quando você vier

estou velho demais pra minha idade
séculos, milênios me deixaram à vontade
restou esse poema de ossos aquecidos
onde sonham de volta amores perdidos

escrever até o corpo inteiro sangrar
e descobrir que a mão não consegue parar
morrer – este é o único e definitivo texto
viver – o que eu arrumava de pretexto

antonio thadeu wojciechowski

Monday, January 02, 2012

10 orientações

quando percebe que já foi
um tempo ido e repetido
perece na lembrança que corrói
passado, está mesmo corroído

trocada estrutura nova recomeça
gigante com pé de barro não dá
tem que revisar peça por peça
senão buraco com a mesma pá

é bom que seja forte concreta
analogismos não vão suportar
aldeia de cabeça oca é oferta
onde qualquer um pode pontuar

some ainda mais nos dias de hoje
num mundo onde todos não cabem
alguns também fingem que sabem
um jeito que a humanidade sobre

sai de fina da problemática
quanto mais rápida a tática
instantaneamente se repensa
que desvincula sua saliência

significativamente a cada ciclo
o sol vai brilhar do mesmo jeito
e pra sobrar lágrima de crocodilo
se mostra bem pra todos os efeitos

muito maior verdade que a mentira
que valor terá galgar tanto topo
cume ou pico pra qualquer idolatria
desde que seja pra sanar um corpo

que transformação pode ocorrer
pra exemplificar simplesmente
gana e sanha pra sempre viver
um passo atrás mas todo coerente

adianta ser bom ou mau nesse mundo
se oferecem uma vida melhor além
se desencarna vai ser com tumulto
quando encarna é em cima de alguém

pra alcançar algo com mais tenaz
se lança às vezes com estupidez
paga e não sabe nem o que fez
em busca da bem branquinha paz

magoo 2/1/2012

Sunday, January 01, 2012

autraído

-Sobre o perdão adquirido e logo em seguida jogado na lama por palavras que nem sei quais foram

imantado estava à emoção
arrancados tripas e coração
secos passados e engomados
a um círculo vicioso atrelado

perto sempre passional abjeto
nem de longe conseguia jeito
de esmigalhar todo seu afeto
após doses que davam efeito

pedi e recebi com supremacia
d'Aquele que ouve e não cobra
nada mais que caiba na poesia

uma vez passa cresce aprende
logo em seguida se arrepende
das merdas que fala com sobra

Magoo

Wednesday, December 21, 2011

calor 100 grau

quando a natureza te empurra
pra esquecer as duras turras
e o corpo se ativa ouriçado
no céu e na terra louvado
grão do todo no cosmo
não será mais o mesmo
nunca menos que lúdico
um elemento energético
come os ares que respira
anda nas águas que limpa
e pelas terras que o suporta
bebe os ventos que o entorta
e equilibrista noite após dia
entende agora as malícias
do bem que o entorpece
se lembra: não esquece!

magoo

Monday, December 19, 2011

re-rumo

o rumo que a vida toma
a cada guinada ou coice
abre um leque que sobra
caminhos pra que pince

e busque novos horizontes
sem esquecer os hematomas
que ao longo dos anos soma
e quase foram hecatombes

tudo bem quando é a si mesmo
que machuca, ama ou destrói
o caminho errado sempre dói

se largada a alma à esmo
quando o pior acontece
no máximo a gente cresce

Magoo

Que venha 2012!

Friday, December 16, 2011

Dia de espada

depois de estorvado pela razão
veio-me coa cabeça fria
enfrentar o monstro que surgia
posto à prova da tal situação

repetindo: se quisesse não saberia
mas tu, mulher, é quem sabe
tu, única, veste meu sabre
como poucas colocam na bainha

endoidei pra torcer pelo prumo
nos dois corpos que a luz investia
graças à um perdeu-se o rumo
graças ao outro o primeiro anestesia

só pra dizer à tempo
nunca ficaria de vigília
nem perderia tempo com lamentos
amargando migalhas de simpatia

Magoo

Monday, December 12, 2011

Thadeu Wojciechowski

Thadeu é um mestre ímpar! Sempre inspirador, instiga o cérebro às façanhas poéticas.
Não costumo postar nada que não seja de minha autoria neste blog, mas esses 2 poemas merecem!




Estações da Alma

ainda que duro você caia
é muito bom que antes saiba
um sol não sai antes da hora
e também a lua não demora

não desanime ou esmoreça
nem deixe que a mágoa cresça
a vida vai e vem em ciclos
tonteia quem anda em círculos

ainda que você não possa
trazer todo encanto de volta
e tenha que pisar no chão
onde as flores nem mais estão

não se aflija por essas vidas
acalma o peito e medidas
em tudo o tempo é remédio
basta a força do teu credo

ainda que você não a veja
como um deus que te proteja
a beleza existirá sempre
e estará bem à sua frente

haverá tempo para a aflição
mas nunca para a rendição
haverá tempo para a alegria
hoje vai ser um grande dia!

antonio thadeu wojciechowski






enquanto é tempo

ninguém foi ver se eu estava na esquina
ou se, pelo menos, minha palavra estava
e dizia a que veio
batendo de frente
de perfil
de quina

a poesia é um escândalo
atrás do outro
o poeta, um bando
movido à cicatriz
e perdigoto

misto de mártir e meretriz
um poço
um passo
carne de pescoço
alma que foi pro espaço

todo santo dia
morre um de tanto beber
outro de atrofia
poucos de tanto escrever
muitos que ainda iriam ser
e não foram nem sombra
do que poderiam ter sido

ah! não farei um último pedido
a vida é um não sei
e a gente sabe
que é de lei
usar antes que acabe

antes que o peito
como um pneu furado
se esvazie, de tal jeito,
que o coração
ainda vivo
seja prensado, paralisado
sem emoção
sem motivo
sem ar
sem ter conjugado
na primeira pessoa
o verbo amar

antonio thadeu wojciechowski

Correndo pro soco

todo santo dia
vou a 15km da esquina
e o vicio em endorfina
já me causa apatia

por conseguir me encontrar
penso em versos sempre sem graça
num cruzamento em meio à fumaça
me lembrei do verbo amar

no caso, dá até pra entender
tanta rudeza no espírito
que não consegue esconder
um poeta querendo ser perito

tem que aprender vivendo
o amor desenvolvendo
mas principalmente com respeito
pra que sobreviva de qualquer jeito!


Magoo

Friday, December 09, 2011

O PAPEL INGÊNUO DA VIDA

quem nunca fez uma cagada
que atire a primeira mãozada de bosta
a gente faz porque a gente gosta
cada um por si, todos por cada




Edilson Del GrossiEdson de VulcanisArs Magoo

Wednesday, December 07, 2011

O BOM ERRO

não é da minha conduta
violentar os bons costumes
mas a vida às vezes injusta
amola apenas um dos gumes

da espada no calejado coração
superei mais de uma traição
nem um pouco satisfeito
com o que batia no meu peito

mas se acham que eu sou cego
mudo, burro, pilequético
não mostro nenhum arquétipo
que acrescente algo ao ego

errei sim, sem perdão eu sei
em cima do erro de outrem
perdi a cabeça e divaguei
isso não quero que lembrem

amigo fui pra aumentar a energia
distanciei-me das rodas de bar
estupidez e tudo mais pela magia
que ainda teima a me rondar

Magoo

Tuesday, December 06, 2011

IMPERDOÁVEL

 a vergonha consumindo
pela covardia do ato
ao pensar, resumindo:
isso não saiu barato

encarecidamente se ajoelha
pede perdão ao morto pai
nele nada se assemelha
o monstro que vem e vai

à mãe também se desculpa
não foi pra isso criado
remoendo sua culpa
por muito ter desejado

valeu mesmo a pena?
ficar tão esbravejante
a si próprio condena

por tudo que já lutou
que ainda é importante
sabe ainda não acabou
mesmo que distante
                           
sente falta toda hora
não consegue raciocinar
quer resolver sem demora
mas só cabe agora esperar

se entedia à distância
causou toda essa desonra
desnecessária  violência
que a si próprio assombra

Magoo

Monday, December 05, 2011

Desmereça

Quando não há desculpa
Impossível é o perdão
Por aquilo que perturba
Até faz perder a razão

Uma história na tormenta
O deserto peito aberto
Exagerado sentimento
Só queria seu bem perto

Mas perde na indecisão
Tudo que acalenta
Tudo que tem na mão
Tudo que se arrebenta

Volta ao começo enfim
Com o sonho despedaçado
Longe de ser querubim
Merece ser amaldiçoado

Nada mudará o pretérito
Nada servirá pra comédia
Nada tirará o mérito
Dela não ser uma Amélia



Magoo

Lutador de araque

atropelei a deusa da minha rua
por falta de sinalização
capotei meu coração
paralelepipedei sob/sobre a garoa

aguada a ilusão ilustra
mapeada na contramão
molha sem céu a reflexão
caminho para a proxima justa

luta, dor é o que não falta




Magoo

BRABULETA

as borboletas do estômago
transformaram-se em mariposas
mas dentre todas as esposas
uma era preferida no íntimo

gozos, balas doces explosivas
acabaram com o harém
na guerra em que ninguém é de ninguém
todas as batalhas são decisivas

súplicas um tanto estonteantes
somaram-se à um gosto amargo
e já se explica há muitos anteontens
Deus dá o lombo conforme o fardo

Magoo

Querendo demais

Eu queria dizer bom dia
Eu queria dizer oi
Eu queria ter família
Toda ela se foi

Eu queria ter um amor
Eu quase tive filhos
Eu que fiz a minha dor
Agora estou maltrapilho

Eu fui pra rua
Eu domei Oncinhas e Tatuzinhos
Eu quero ela destrua
Toda forma de carinho

Magoo

Tuesday, July 26, 2011

PAULO DINIZ & MAXIXE MACHINE



A banda Maxixe Machine traz a Curitiba pela primeira vez, Paulo Diniz. Segundo a Wikipedia:


Paulo Diniz (PesqueiraPernambuco24 de janeiro de 1940) é um cantor brasileiro.
Foi para o Recife trabalhar como crooner e baterista em casas noturnas. Foi locutor e ator de rádio e televisão, em Pernambuco e no Ceará. Em 1964 foi para o Rio de Janeiro, onde consultou a Rádio Tupi e passou a compor com mais frequência. Sua primeira gravação saiu em 1966, com a música O Chorão.
Quatro anos depois lançou dois LPs, e em seguida dedicou-se à tarefa de musicalizar poemas de língua portuguesa de autores como Carlos Drummond de Andrade (E Agora, José?),Gregório de Matos (Definição do Amor), Augusto dos Anjos (Versos Íntimos), Jorge de Lima (Essa Nega Fulô) e Manuel Bandeira (Vou-me Embora pra Pasárgada).
Suas músicas foram gravadas por Clara NunesEmílio SantiagoSimone e outros. Entre seus sucessos destacam-se Pingos de Amor, gravado por vários intérpretes, CanoeiroUm Chopp pra DistrairI Want to Go Back to Bahia (uma homenagem a Caetano Veloso, então exilado em Londres) e Quem Tem um Olho É Rei, todas em parceria com Odibar.
Atualmente Paulo Diniz continua realizando apresentações, com a mesma voz vibrante de antes, porém numa cadeira de rodas, já que contraiu uma misteriosa doença em 2005 que paralisou seus membros inferiores.

Wednesday, July 06, 2011

FIGURINHAS DIFÍCEIS DE LINGUAGEM

ALESSANDRO “MAGOO” RÜPPEL
Nascido em Curitiba, em 1971, Alessandro Rüppel  Silveira (Ars Magoo) é um artista plástico autodidata que iniciou ainda jovem suas viagens no mundo da pintura. Aos 16 anos, já trabalhando com publicidade e cursando Edificações no Colégio Estadual do Paraná, ganhou seu primeiro prêmio de Artes Plásticas,  “Primeira Visão” – 1987. A partir daí foi se aprimorando em design gráfico.  Atuou na área de design de móveis e interiores, em Cascavel e lá faturou mais um prêmio de artes, na 5ª Mostra  Cascavelense de Artes Plásticas – 1990.
Voltando à Curitiba, foi o pioneiro em programação para Máquinas de Bordados Computadorizados da cidade. Flutuando entre as áreas de comunicação e design, acumula experiências que influenciam sua obra,  as vezes figurativa, mas com influências ciberpunks. Em 2006 expõe no no Sesc da Esquina. Desenha e finaliza, com Norberto Pie e Caco Retamozzo, o gibi “Atira!”, em nankim (1998).
Magoo é parceiro também dos poetas marginais que sempre solicitam seus préstimos de designer gráfico para editar livros de poemas, contos e outras prosas. Dentre os de maior repercussão estão os de Thadeu Wojciechowski  (“Saboro Nossuco”, “Os Bêbados Amam Demais” entre outros), Fernando Koproski  (“Nunca Seremos Tão Felizes Como Agora”),  Edson de Vulcanis  (“Paraguaios do Universo”),  Sérgio Viralobos  (“Piada Louca”),  este último com lançamento previsto para o final de 2011.
Artista marginal mais por necessidade do que por ideologia, a maioria de suas exposições foram realizadas em espaços culturais alternativos. É talvez o curitibano que mais produziu capas de CDs (foi o responsável pelas mais de 40 capas de CDs produzidos pela GRANDE GARAGEM QUE GRAVA  em suas 3 edições), cartazes e flyers  de shows, além de programar, diagramar e finalizar diversas publicações de rock, a última delas a revista “Fósforo”, programa oficial do festival internacional “Psycho Carnival”, distribuída em Curitiba e também internacionalmente.
A exposição “Figurinhas Difíceis de Linguagem”, 12 obras em acrílico, onde homenageia diversos músicos no Dia Internacional do Rock, é um projeto antigo.  Magoo está sempre cercado pelo rock, afinal, o dia do rock também é o dia de seu aniversário.
Serviço:
Exposição Figurinhas Difíceis de Linguagem
Data: 13 de julho de 2011
Local: Stereo Toaster Café
Rua Angelo Sampaio, 1671 –  Batel
tel. 41 3319-5983
19h - Abertura
20h - Pocket Show com Fernando Gouvêa e Valter Ferraz (Eles Mesmos)

Friday, March 25, 2011

sem mentira, vai ser um showzaço

O JOKERS APRESENTA 3 BANDAS (PRÉ)HISTÓRICAS DO PSYCHOBILLY GARAGEIRO DAS ARAUCÁRIAS.

Tuesday, February 15, 2011